Quando foi a última vez que me permiti estar na natureza de corpo e alma? Quando foi que fiz uma coisa que me deixou suspirando de alegria, extasiada de prazer – seja este prazer algo simples como tomar um sorvete?

Quando tirei meus sapatos e deixei meus pés em contato com a terra (ou a areia da praia)? Quando olhei pro céu, e conversei com as nuvens ou com as estrelas?

Quando olhei pros olhos dos meus filhos e realmente brinquei com eles, 100% presente no momento – sem estar preocupada com a minha situação financeira e com a escassez?

Essas perguntas simples me mostram o quanto a minha Mulher Selvagem luta como uma guerreira pra se fazer presente na minha vida.

A vida de uma brasileira que passa por problemas gerados na recessão de 2016 que virou depressão econômica em 2019.

Mas a Mulher Selvagem fica aqui. Sólida como uma rocha dentro da minha alma. Nas minhas sensações mais puras. Na gargalhada ao lado das amigas. No carinho que posso fazer nos meus bichos, nas minhas plantas, nos meus filhos.

A Mulher Selvagem acolhe meu choro no banho. Ela quem me ensinou: chora no banho. Você não marca o rosto, não assusta seus filhos e não molha a fronha. Então, quando eu preciso, eu choro no banho. E ela mesma me diz: isso… limpa teu coração… deixa sair a dor. E a dor sai. E quando desligo o chuveiro, me sinto pronta pra encarar o mundo.

A Mulher Selvagem pede pelo cheiro do mar. Ela gosta do primeiro toque da água nos meus pés, quando eu chego na praia. Aquela sensação memorável de “estou aqui de novo”.

Quando peço licença para colher uma concha e ela vem pra minha vida como um amuleto, eu sinto a Mulher Selvagem me acolhendo. As conchas são meus ossos do deserto.

Se não tenho o mar, tenho meu tambor. Ele coloca meu coração batendo em harmonia com a Mãe Terra. Ele traz o pulsar da batida das patas do meu cavalo no chão. Ele me esquenta, tal qual o Fogo.

E quando eu canto com ele, é a Mulher Selvagem me ensinando… não precisamos de muito para estar em casa. Basta procurar a reconexão com a nossa essência. E deixar que essa essência nos mostre o caminho.

Crédito da foto: Michal Krenovský – Pixabay

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