“Eu lhe dou a vida
Eu lhe dou a morte
É tudo uma coisa só
Nada morre que não nasça outra vez
Nada existe que não vá morrer
Quando você vem a mim, eu lhe dou as boas vindas,
E depois a recebo em meu útero, o caldeirão da transmutação
Onde você é misturada e peneirada,
fervida e triturada,
derretida e amassada,
reconstituída e depois reciclada.
Você sempre volta a mim
E segue o seu ciclo renovada
Morte e vida são apenas pontos de transição
Ao longo do Caminho da Eterna Espiral”*

No fim do conto do Barba Azul, ele é morto pelos irmãos da mulher e seu corpo é jogado às aves carniceiras. A simbologia da transformação é sugerida pelo fato de que ele vira alimento para outras vidas. As aves por fim desmancham o predador e se nutrem de sua força, agora destituída de seus aspectos nocivos.

Outro exemplo desse movimento é o mito celta da deusa Cerridwen, a guardiã do caldeirão da transmutação, ou da vida, morte e renascimento. Ela é a face Anciã da Grande Deusa Tríplice, a que completa os ciclos da Donzela e da Mãe. A Anciã recebe em seu caldeirão tudo aquilo que precisa ser renovado, o que precisa morrer para que o novo possa nascer. Ela é a terra no Inverno, que gesta em suas profundezas as sementes que irão brotar na Primavera. Na superfície tudo parece estar morto, mas dentro de seu útero a vida pulsa querendo emergir.

Aproveite a energia de renovação que essa época traz, jogue dentro desse caldeirão tudo aquilo que não te serve mais: velhos padrões, crenças limitantes, raiva, mágoa, ressentimentos…Deixe-os derreter e retire a força que precisa para criar, amar, ser.

* “O Oráculo da Deusa”, Amy Sophia Marashinsky

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